As Cores de um País Plural: Coleção Ingá Reúne o Esplendor da Arte Brasileira no CCJFAs
Com mais de 200 obras de gênios como Di Cavalcanti e Portinari, mostra celebra os 25 anos do Centro Cultural com um mergulho nas matrizes que formam a nossa identidade. De 08/07 a 27/09/2026 com entrada gratuita.
EXPOSIÇÕESGRÃFINÍSSIMO
7/6/20264 min read


Imagens: Divulgação
A arte tem o poder único de funcionar como um espelho de seu tempo e, simultaneamente, como uma ponte para o futuro. A partir do dia 8 de julho, o público carioca terá a oportunidade de testemunhar esse fenômeno de perto com a abertura da exposição Coleção Ingá: Brasil plural, que ocupará todas as galerias do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro. Fruto de uma cooperação entre o CCJF — que celebra seus 25 anos de história — e a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), a mostra realiza um feito monumental: colocar em circulação recortes de um acervo de mais de 10 mil itens do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro (MHAERJ - Museu do Ingá, localizado em Niterói).
Com a curadoria precisa de Marcus Lontra e Rafael Peixoto, a exposição reúne mais de 200 obras que passeiam pelos séculos XIX e XX. Mais do que uma simples retrospectiva, a seleção funciona como uma poderosa ferramenta de conscientização sobre as inúmeras matrizes culturais que edificam a complexa identidade brasileira.São artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares, registros de sincretismos e resistências. A proposta do projeto é apresentar uma nova identidade para esse grande acervo. A escolha do nome, Coleção Ingá: Brasil plural, além de reforçar a localidade do museu, em Niterói, surge como reconhecimento da importância da natureza como elemento de integração e construção da identidade nacional, demonstrando a pluralidade da criatividade e diversidade da arte brasileira.
“Trata-se de um acervo valioso, patrimônio do povo fluminense, e a curadoria buscou uma abordagem temática valorizando diversas escolas, técnicas e períodos artísticos. Assim, arte clássica e arte moderna convivem e estabelecem diálogos curiosos e sensíveis entre tempos e olhares que acentuam a atemporalidade da ação artística”, destaca Lontra.


Um Acervo de Encontros e Diálogos Atemporais
A Coleção Ingá não nasceu do dia para o noite; ela é o resultado da fusão de oito acervos distintos, incluindo relíquias da antiga Coleção Banerj, da Coleção de Arte Popular e da Coleção do ex-governador Ernani do Amaral Peixoto. Essa origem multifacetada se reflete na presença de nomes que moldaram a história da arte no país, como Alfredo Volpi, Oswaldo Goeldi, Emiliano Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Emeric Marcier e Mestre Guarany.
O grande trunfo da curadoria reside na capacidade de fazer com que a arte clássica e a arte moderna convivam em harmonia, provocando o que Marcus Lontra define como "diálogos curiosos e sensíveis". Ao colocar uma pintura do século XIX ao lado de uma experimentação moderna, a mostra evidencia a atemporalidade da ação artística e desafia o espectador a encontrar os fios invisíveis que conectam diferentes épocas do nosso território.
"Por ter sido formada ao longo de décadas, essa exposição reúne uma variedade de expressões e produções que nos inspiraram a fazer esse recorte curatorial que celebra a nossa pluralidade. No Brasil, muitas vezes, os acervos públicos ou em comodato em dispositivos culturais são tratados como uma pedra no sapato, quando na verdade eles representam não só um patrimônio do povo, mas também a possibilidade da população de ter acesso à arte, à cultura e ao pensamento brasileiro. Reconhecer e tornar pública a relevância da Coleção Ingá, entre tantas outras, é também reafirmar a importância do papel transformador da arte em realidades, identidades, pertencimentos e no estímulo de práticas de cidadania”, pontua Peixoto.


Diversidade de obras e acessibilidade na mostra
Sob essa ótica, a Coleção Ingá: Brasil plural organiza-se por meio de seis núcleos que ocupam as galerias do 1º e 2º andares do CCJF. Entre os destaques, estão as obras Brasil em 4 fases, de Di Cavalcanti, e o conjunto de quadros Embarcações com Índios, de Carybé. São eles:
O Convívio da Fé, que propõe um diálogo entre os sincretismos e manifestações culturais que debatem a construção da imagem do santo — utilizando representações de São Sebastião ao longo da história — como símbolo de fé, luta e resistência;
Essa Gente Brasileira, que reúne obras que levantam questões de pertencimento e identidade nacional, refletindo a diversidade de origens, histórias e experiências;
Matriz Popular, dedicado às produções artísticas de origem popular, que revela a capacidade do povo brasileiro em transformar a realidade do dia a dia em arte;
Matriz Expandida, que destaca a tradição da gravura e da produção gráfica brasileira, apresentando importantes conjuntos de obras e matrizes — com destaque para as xilogravuras de Goeldi — que evidenciam a pesquisa técnica e a experimentação artística;
Imagens Cotidianas da História, conjunto de pinturas de Marcier que refletem a vida cotidiana através de diferentes temporalidades e geografias, articulando-se como um retrato expandido da vida urbana brasileira a partir do Rio de Janeiro;
A Paisagem através dos Tempos, núcleo com obras que percorrem os últimos dois séculos da história brasileira, revelando transformações sociais, culturais e estéticas por meio da relação íntima do país com sua paisagem natural. Trata-se de um passeio pela natureza tropical e pelas transformações que revelam ao público um panorama do Brasil através dos tempos.
SERVIÇO
Exposição Coleção Ingá: Brasil plural
Período de visitação: 08/07 a 27/09/2026, de terça-feira a domingo, das 11h às 19h
Valor: gratuito
Centro Cultural Justiça Federal • CCJF
Avenida Rio Branco, 241 – Centro • Rio de Janeiro (há possibilidade de entrada pela Rua México, 57)