Balé da Cidade de São Paulo estreia segunda temporada com as obras inéditas “CORO UMBRAL” e “até que se abra tudo”

Ambas são criações de duas coreografas em grande fase de suas carreiras: a colombiana Andrea Peña e a brasileira Michelle Moura. Nas estreias dessas duas novas obras, o público poderá mergulhar em trabalhos que imaginam um corpo coletivo em transformação. A partir de junho, a companhia terá direção de Luiz Bongiovanni

BALLET CONTEMPORÂNEOGRÃFINÍSSIMO

6/15/20264 min read

Fotos: Larissa Paz

Após cruzar fronteiras e colher os louros de uma turnê aclamada pelo México, o Balé da Cidade de São Paulo regressa ao seu palco na Sala de Espetáculos para a sua aguardada segunda temporada de 2026. O reencontro com o público paulistano é marcado pelo frescor da novidade, trazendo uma noite de estreias duplas com as obras: " Até que se abra tudo", de Michelle Moura, e a monumental CORO UMBRAL, assinada pela coreógrafa colombiana Andrea Peña. As apresentações serão realizadas nas datas: 20, sábado, e 21, domingo, às 17h; 25, quinta-feira, e 26, sexta-feira, às 20h; 27, sábado, e 28, domingo, às 17h, na Sala de Espetáculos. Os ingressos custam de R$13 a R$100, a classificação é de 16 anos e a duração aproximada é de 90 minutos, com intervalo.

Longe de ser apenas uma sequência de movimentos, CORO UMBRAL propõe uma experiência sensorial e profundamente política sobre a resistência dos corpos. Sob o olhar de Andrea Peña — artista multidisciplinar baseada em Montreal que funde sua herança indígena à sua bagagem no design industrial e na moda —, a obra se estabelece na fronteira da transformação. Inspirada pelos imaginários latino-americanos e pelas arquiteturas rituais do Sul Global, Peña desenha uma paisagem humana em constante mutação. Interpretada por um elenco vigoroso, a coreografia tensiona o limite entre o indivíduo e a massa:

"Os corpos se fundem, fraturam, sustentam e desestabilizam uns aos outros por meio de sistemas coreográficos densamente físicos, que borram as fronteiras entre indivíduo e coro; entre caos e cerimônia." — Andrea Peña

O espetáculo ganha ainda mais densidade através de uma ficha técnica robusta. A pulsação da obra é ditada pela trilha sonora de Rodolfo Rueda (CIBER1A) e Coppélia LaRoche-Francoeur, enquanto a atmosfera visual é moldada pela iluminação precisa de Caetano Vilela, pela cenografia monumental de Jonas Soares e pelos figurinos expressivos de Marina Dalgalarrondo.

Sobre a criação de "Até que se abra tudo", Michelle Moura afirma que “o corpo é matéria porosa” e que “somos constantemente atravessados por forças que nos sustentam e às quais não controlamos”. Segundo ela, a obra parte da ação de abrir como elemento mobilizador da gestualidade, dos estados emocionais e da coreografia. “Além de um ato físico, abrir é um processo de transformação e metamorfose”, diz.

A coreógrafa relaciona a obra a um contexto em que emoções e desejos são constantemente explorados. “Num tempo em que emoções e desejos são extraídos e capitalizados, servindo de combustível a uma máquina extenuante, o petróleo e o lítio somos nós. O buraco na terra é o buraco no peito”, afirma. Michelle Moura descreve ainda a cena como um conjunto de “corpos em bando inclinados na beira de um abismo”, em uma trajetória marcada por pulsações, metamorfoses sutis e composições em que “o espelho humano oscila e desconhece suas formas”.

Além da concepção e coreografia de Michelle Moura, a obra tem dramaturgia de Maikon K e assistência de coreografia de Clarissa Rêgo. A trilha sonora e execução ao vivo ficam a cargo de Kaj Duncan. O design de luz é assinado por Mirella Brandi, o figurino por Thales Cristovão e o acompanhamento de luz por Giorgia Tolaini. Michelle Moura, bailarina e coreógrafa brasileira radicada em Berlim, começou sua formação em dança na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), continuou no CNDC d’Angers (França) e Das Choreography (Holanda). Em suas coreografias, explora deslocamentos ligados às representações do feminino e do humano, criando composições marcadas por repetições, distorções e estados de estranhamento.

O Retorno de Luiz Fernando Bongiovanni ao Balé da Cidade de São Paulo

O Balé da Cidade de São Paulo inicia um novo capítulo em sua história com a chegada de Luiz Fernando Bongiovanni como diretor artístico. O coreógrafo e gestor assume o cargo trazendo na bagagem uma sólida trajetória internacional e uma relação de longa data com a própria companhia paulistana, onde atuou no início de sua carreira. Bongiovanni dedicou mais de duas décadas de sua vida aos palcos como bailarino. O olhar humanista e estruturado do diretor é reforçado por sua formação acadêmica. Bongiovanni é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), combinando a prática dos palcos a uma sólida bagagem teórica e intelectual.

Elenco
Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Gutielle Ribeiro, Harry Gavla, Jéssica Fadul, Leonardo Muniz, Luiz Crepaldi, Marisa Bucoff, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi e Silvia Kamyla.

Ingressos de R$ 13 a R$ 100 (inteira)
Duração de aproximadamente 1h40 (com intervalo)
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos – pode conter histórias com consumo de drogas explícito, agressão física acentuada e insinuação de sexo acentuada.

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Joana Aleixo

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jornalista/produtora cultural

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