Dia de Proteção às Florestas: conheça a exposição no Rio que reúne guardiões de seis estados da Amazônia

Cacique Raoni, Davi Kopenawa e Maria Aparecida Apinajé estão entre as lideranças homenageadas pela mostra "BioOCAnomia Amazônica", em cartaz no Museu do Jardim Botânico.

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7/16/20264 min read

Fotos: Albert Andrade

Em um momento em que o planeta enfrenta eventos climáticos extremos sem precedentes, de ondas de calor avassaladoras a secas severas e enchentes devastadoras, a celebração do Dia de Proteção às Florestas , no dia 17 de julho, ganha um peso urgente. Não se trata mais apenas de uma data simbólica no calendário, mas de um chamado essencial para a preservação do equilíbrio ecológico global. Nesse cenário, o Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, inaugura uma sala especial dentro da exposição "BioOCAnomia Amazônica", destacando uma verdade fundamental: não existe floresta em pé sem o comprometimento das pessoas que devem proteger o ecossistema.

O espaço homenageia e conta um pouco da história de lideranças de diferentes estados da Amazônia Legal, todas dedicadas à conservação da floresta, à valorização dos saberes tradicionais e ao fortalecimento da bioeconomia amazônica. São os guardiões da floresta da vida real. A mostra reúne histórias inspiradoras de pessoas indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas que, em seus territórios, atuam diariamente na linha de frente da proteção ambiental. Entre os homenageados está Cacique Raoni, do povo Mebêngôkre (Kayapó), uma das vozes indígenas mais respeitadas do planeta, cuja atuação ao longo de décadas ajudou a projetar internacionalmente a luta pela conservação da Amazônia.

A exposição também homenageia o filósofo, escritor e líder indígena Davi Kopenawa, do Amazonas, reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas e da floresta, ao lado de outras lideranças amazonenses como a artesã Lucineide da Silva Garrido, a empreendedora Marlene Alves da Costa, o pescador Janderson da Silva Mendonça e Rosângela Cunha, da Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá.

A exposição também celebra Valdenira Batista, do Acre, liderança indígena do povo Huni Kuin (Kaxinawá) e referência na saúde da mulher indígena gestante; Maria Nice Machado Aires, do Maranhão, liderança quilombola e quebradeira de coco babaçu que integra a coordenação regional do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB); Antônia Márcia dos Santos, a Nega do Biluca, do Amapá, quituteira e guardiã de tradições afro-amazônicas como o marabaixo e a gengibirra; e Maria Aparecida Apinajé, do Tocantins, integrante da brigada feminina indígena Pêp Apinajé — a primeira formada exclusivamente por mulheres indígenas para atuar na proteção da floresta.


Ao reunir essas trajetórias em um só espaço, "BioOCAnomia Amazônica" reforça, no mês em que se celebra o Dia de Proteção às Florestas, a importância de valorizar quem vive e protege a floresta em pé, mostrando que a conservação ambiental passa, sobretudo, pelo reconhecimento de quem já a pratica há gerações.

"BioOCAnomia Amazônica" está em cartaz no Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, até novembro de 2026.

O Resgate da Ciência Tradicional e da Bioeconomia

A exposição joga luz sobre as trajetórias de lideranças da Amazônia Legal que atuam no cotidiano da conservação. Ao integrar vozes indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas, a mostra lembra que a bioeconomia real nasce do manejo sustentável e do respeito aos saberes ancestrais.

Entre os nomes homenageados na mostra estão:

  • Cacique Raoni (Mebêngôkre/Kayapó) e Davi Kopenawa (Yanomami): Figuras históricas que levaram ao mundo a urgência do respeito aos territórios indígenas.

  • Maria Aparecida Apinajé: Integrante da brigada feminina indígena Pêp Apinajé, referência pioneira no combate aos incêndios florestais.

  • Maria Nice Machado Aires: Liderança quilombola do Maranhão no Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

  • Valdenira Batista (Huni Kuin): Guardiã do Acre voltada à saúde e aos conhecimentos tradicionais das mulheres gestantes.

  • Lucineide Garrido, Marlene da Costa, Janderson Mendonça, Rosângela Cunha e Nega do Biluca: Representantes da resistência comunitária, da arte, da pesca artesanal e da salvaguarda de tradições afro-amazônicas.

As florestas tropicais funcionam como verdadeiros reguladores do clima do planeta, sequestrando toneladas de carbono e alimentando os ciclos de chuvas. Contudo, em uma época de aquecimento acelerado, a degradação ambiental ameaça ultrapassar o ponto de não retorno. A mostra no Museu do Jardim Botânico humaniza esse debate. Ela lembra ao público urbano que soluções para a crise climática envolvem apoiar quem está na linha de frente da conservação.

Serviço

  • Exposição: "BioOCAnomia Amazônica" (Sala Especial)

  • Onde: Museu do Jardim Botânico — Rio de Janeiro/RJ

  • Em cartaz: Até novembro de 2026

  • Gestão: IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão)

  • Patrocínio: Shell Brasil (por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura)

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Joana Aleixo

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