La Fille Mal Gardée: Um dos balés mais antigos do repertório mundial está de volta ao Municipal do Rio

A Orquestra Sinfônica e o Ballet do TMRJ convidam o público para uma jornada bucólica inesquecível que celebra a astúcia do coração.

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5/7/20264 min read

Fotos: Daniel Ebendinger

Após um hiato de duas décadas que se encerrou com uma aclamada nova montagem em 2024, o balé La Fille Mal Gardée consolida sua volta triunfal ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro na temporada de 2026. Com o patrocínio oficial da Petrobras, a obra — um dos títulos mais longevos e queridos do repertório mundial — reafirma a vitalidade do Corpo de Baile e da Orquestra Sinfônica da casa em uma série de récitas programadas para o mês de maio. As récitas serão nos dias 13/5 (Ensaio Geral), 14 (estreia), 15, 16, 20, 21 22 e 23, às 19h | 17 e 24, às 17h | 19, às 14h (Projeto Escola).

Criado originalmente em 1789, às vésperas da Revolução Francesa, La Fille Mal Gardée (A Filha Mal Vigilada) rompeu com os temas mitológicos da época para focar em uma narrativa campestre, humana e bem-humorada. No palco carioca, a versão atual ganha vida sob a concepção e coreografia do uruguaio Ricardo Alfonso, que preserva a essência cômica do clássico enquanto desafia os bailarinos a explorarem a interpretação dramática. A supervisão artística, dividida entre Bejani e Jorge Teixeira, garante que o rigor técnico do balé clássico caminhe lado a lado com a comunicação emocional necessária para cativar o público contemporâneo.

"Esta versão vem proporcionar aos nossos bailarinos a oportunidade de evidenciar o papel primordial da expressão facial, para além da gestualidade", afirma Hélio Bejani, Diretor do Ballet do TMRJ.

Entre o Amor e a Ambição

O balé estreou em julho de 1789 no Grand Théâtre de Bordeaux. Desde então, a obra vem sendo remontada por diferentes gerações de coreógrafos. Um dos principais nomes a revisitar o título foi Marius Petipa, que apresentou sua versão em 1885, em São Petersburgo. Ao longo do século XX, novas montagens mantiveram o balé em circulação nos principais palcos internacionais.

O enredo se inicia na fazenda de Simone, uma viúva de posses que deseja assegurar o futuro da filha, Lisa, através de um casamento de conveniência com Alan, o filho abobalhado do rico proprietário Thomas. Lisa, entretanto, está perdidamente apaixonada pelo jovem camponês Colas. O conflito se estabelece quando Simone afasta o rapaz, tentando impedir o romance. Durante a lida com o gado no campo, as personalidades se revelam: enquanto Lisa e Colas trocam juras de amor, Alan se perde em suas brincadeiras infantis e Simone flerta com Thomas. O idílio campestre é subitamente interrompido por uma tempestade, que dispersa os personagens e eleva a tensão da narrativa.

No ato final, a resistência de Lisa toma forma de estratégia; ela finge aceitar os preparativos da mãe para dissipar qualquer suspeita. O clímax ocorre no momento em que Lisa experimenta seu vestido de noiva, sob o olhar atento de Simone, Thomas e Alan. Em um gesto decisivo, a viúva entrega a chave do quarto da filha para o pretendente oficial. No entanto, ao abrir a porta, Alan revela o que Simone tanto temia: Lisa está nos braços de seu verdadeiro amor, Colas. Diante da inevitabilidade do sentimento dos jovens, o destino intervém e o casal recebe, enfim, as bênçãos da mãe. A obra encerra-se com a celebração do matrimônio, contrastando a fúria do velho Thomas com a hilária indiferença do jovem Alan.

“É uma grande honra fazer a direção musical e a regência deste balé, ao lado da Orquestra Sinfônica e do Balé do Theatro Municipal. A partitura de La Fille Mal Gardée tem uma história musical muito curiosa: nasceu no século XVIII como uma colagem de diferentes músicas e, ao longo do tempo, foi sendo retrabalhada por vários compositores até chegar à forma que conhecemos hoje. Essa trajetória dá à ela uma leveza e um frescor muito próprios, sempre a serviço da cena, e que continua conquistando o público”, destaca o maestro Jésus Figueiredo.

Elenco:

Lise – Juliana Valadão / Manuela Roçado / Marcela Borges / Tabata Salles

Colas – Cícero Gomes / Alyson Trindade / Owdrin Kaew / Rodrigo Hermesmeyer

Madame Simone – Edifranc Alves / Saulo Finelon

Alain – Alyson Trindade / Luiz Paulo / Rodrigo Hermesmeyer

Datas elenco:

Dias 14/5 (estreia), 16 e 21

Juliana Valadão e Cícero Gomes

Dias 13/5 (geral), 17 e 23

Marcela Borges e Alyson Trindade

Dias 15/5, 20 e 24

Manuela Roçado e Rodrigo Hermesmeyer

Dias 19/5 (Projeto Escola) e 22/5

Tabata Salles e Owdrin Kaew

Ficha Técnica:

Concepção e Coreografia: Ricardo Alfonso

Supervisão Artística: Hélio Bejani e Jorge Texeira

Coordenação de Remontagem: Jorge Texeira

Ensaiadores: Jorge Texeira, Mônica Barbosa, Celeste Lima e Filipe Moreira

Cenografia: Manoel dos Santos

Figurinos: Tania Agra

Iluminação: Paulo Ornellas

Regente: Jésus Figueiredo

Design Gráfico: Carla Marins

Direção Geral: Hélio Bejani

Direção Artística Temporada 2026: Eric Herrero

Presidente FTM: Clara Paulino

Serviço:

La Fille Mal Gardée

Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal

Dias: 13/5, às 19h (Ensaio Geral) | 14 (estreia), 15, 16, 20, 21 22 e 23/5, às 19h | 17 e 24/5, às 17h | 19/5, às 14h (Projeto Escola)

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano, s/n° - Centro

Duração: 1h45 + intervalo

1º ato - 50 min

2º ato - 35 min

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