Mostra MonStra reúne sete trabalhos de dança e performance no Centro Coreográfico do Rio

O evento independente traz estreias e solos de artistas do Rio, Ceará e Piauí entre os dias 13 e 15 de novembro.

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11/5/20264 min read

Fotos: Divulgação

Como seguir criando diante das adversidades? A mostra de dança e performance “MonStra” reflete as práticas de esforço, desejo, invenção e insistência praticadas pelos artistas. Em sua sétima edição, a MonStra reúne sete trabalhos de artistas do Ceará, do Piauí e do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 15 de novembro, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro.

São diferentes corpos, pesquisas, linguagens e modos de estar em cena reunidos por uma curadoria que aposta no encontro e na diversidade da produção em dança. O nome do evento celebra essa diversidade e estranheza, que provoca o olhar a se deslocar e ver as coisas de outra forma. Batizada de “Das Tripas, Coração”, esta edição tem curadoria assinada por Camila Fersi e Gabriela Jung.

Em um cenário de oportunidades limitadas e alta competitividade, o ofício dos artistas passa a ser ditado por prazos e exigências que não condizem com o tempo e a estrutura necessária para o desenvolvimento da criação nas artes da cena. Para Camila Fersi, realizar essa mostra diante desse cenário é um movimento político para mover ideias e viabilizá-las com o apoio da rede de parceiros construída durante anos de atuação profissional na cidade do Rio e no Brasil.

“A MonStra 7 acontece porque existe uma rede disposta a colocar corpo, trabalho, tempo e recursos em circulação. Porque ainda se inventam maneiras de fazer junto. É uma realização que se apoia na capacidade de articulação de uma rede que, há anos, produz encontros, circulação e pensamento em dança”, comenta Camila.

Para colocar mais uma edição na rua, a MonStra reuniu artistas, técnicos, produtores, amigos e público para colaborar na construção do evento. Além dos parceiros, as artistas criaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria, a fim de cobrir os custos de produção do evento, que não conta com patrocínio e tem investimento direto da equipe.

“Sabemos que essa maneira de fazer traz à tona questões maiores: como se sustentam as artes quando os recursos são insuficientes e as políticas públicas não dão conta da diversidade e da continuidade da produção artística? Que redes se formam quando é preciso criar outras maneiras de permanecer em movimento?”, elabora Gabi Jung.

Diversidade de Corpos e Linguagens em Cena

Reunindo sete trabalhos de artistas oriundos do Ceará, do Piauí e do Rio de Janeiro entre os dias 13 e 15 de novembro, a programação da MonStra reflete o encontro de diferentes pesquisas, poéticas e modos de estar em cena. O próprio nome do evento celebra o estranhamento e a diversidade, provocando o olhar do público a se deslocar para ver o mundo e a dança de outras formas:

  • Sexta-feira (abertura): O público confere a estreia do solo “Super”, do artista cearense Alysson Amancio, seguido pelo espetáculo “Prosas Ordinárias”, da companhia carioca Prosa, que elege panos e trapos como matéria-prima central para sua arquitetura coreográfica.

  • Sábado: A programação apresenta “Você nunca vai dançar”, solo da bailarina Helena Matriciano que investiga as camadas da memória e do envelhecimento, articulado junto a “Piratas e as cinco paisagens”, uma estrutura coreográfica estruturada sob a égide da improvisação pelo Coletivo Instantâneo.

  • Domingo (encerramento): A mostra culmina com “Um coisa de cada vez”, de Julia Gil e Pedro Quaresma; “Nuca”, de Natália Quinderé; e “Manual de Feitiço”, concebido pela artista piauiense residente em Fortaleza, Luzia Amélia.

De Projeto Remoto a Símbolo de Resistência

Desde a sua primeira edição, ainda na pandemia do COVID19, em 2020, MonStra mobilizou e incentivou bailarinas (os) e coreógrafas (os) a continuarem seus projetos artísticos, convidando-os a inventarem novas maneiras de criar e apresentar danças.

As 4 primeiras edições foram realizadas no modo remoto e apresentaram uma grande variedade de trabalhos feitos em casa por artistas que tiveram seus percursos interrompidos naquele período. Nas edições 5 e 6, MOnStra volta ao movimento presencial e é contemplada pelo Fomento Carioca. O projeto segue se aprimorando, cuidando de sua rede de parceiros com afeto e tentando um lugar na arena insana dos editais.

E assim, das tripas coração, nasce a Monstra 7, afirmando a potência da ação coletiva e das redes de colaboração que sustentam a produção artística. Ao mesmo tempo, colocando em perspectiva as condições de realização das artes, a distribuição de recursos e as políticas públicas para as artes no Rio de Janeiro.


SERVIÇO

MONSTRA 7

Data: 13, 14 e 15 de novembro (sexta, sábado e domingo)

Horários: 13 e 14, às 19 horas. 15, às 18 horas.

Local: Centro Coreográfico do Rio de Janeiro (CCO)

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Joana Aleixo

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jornalista/produtora cultural

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