O Essencial de Richard Wagner no Municipal de São Paulo em Sessenta Minutos de Eternidade
Do misticismo de Lohengrin ao vigor mitológico d’As Valquírias, a Orquestra Experimental de Repertório prova que a imensidão wagneriana cabe no tempo de um suspiro épico.
3/25/20263 min read


No próximo domingo, 29 de março, o Theatro Municipal de São Paulo abre suas portas para um mergulho nas profundezas do romantismo alemão. Sob a regência de Wagner Polistchuk e Hernán Sánchez Arteaga, a Orquestra Experimental de Repertório e o Coro Lírico Municipal apresentam um programa dedicado exclusivamente a Richard Wagner. O concerto, que conta com a participação do tenor Renato Tenreiro, percorre desde o misticismo de Lohengrin até o vigor mitológico d'As Valquírias. Em 60 minutos o público poderá conhecer as principais obras de Wagner, que são famosas por sua duração monumental, algumas chegam a 5 horas, tornando a apresentação um excelente atrativo para o público que deseja conhecer o compositor sem o "peso" de uma récita completa.
Assistir a um programa wagneriano é, sobretudo, enfrentar uma das figuras mais complexas da história da arte. As características que tornam a obra de Wagner indispensável e os dilemas que cercam o legado dele é uma oportunidade de vivenciar a influência deste mestre do Teatro Moderno. O concerto será realizado às 11h. Os ingressos variam de R$13 a R$50 e a duração aproximada é de 60 minutos, sem intervalo.
Afirmar que Wagner não compunha apenas música; ele criava universos é o reconhecimento deste grande compositor da música clássica. A obra Lohengrin foi composta antes do exílio de Wagner (1850), e curiosamente foi a peça que o consagrou. O Prelúdio do Ato III, que abre este trecho do concerto, é uma explosão de alegria exuberante, celebrando o casamento de Lohengrin e Elsa. Este trecho ganhou grande notoriedade à época, mais precisamente em 1858, ao se tornar a “Marcha Nupcial” preferida dos casamentos até os dias atuais.


A primeira vez que foi tocada em um casamento oficial foi o da Princesa Vitória, a Vick, filha mais velha da Rainha Vitória, que na ocasião casou-se com o Príncipe Frederico Guilherme da Prússia (futuro Imperador Frederico III) na Capela Real do Palácio de St. James, em Londres. Para a saída dos noivos, foi escolhida a Marcha Nupcial de Felix Mendelssohn (da obra Sonho de uma Noite de Verão). Foi o bastante para tornar o prelúdio oficialmente o “hino” dos enamorados, o que causou certo estranhamento no compositor Richard Wagner, uma vez que, na obra, o casamento de Elsa e do Cavaleiro do Cisne termina em tragédia poucos minutos após essa música ser tocada. Elsa quebra o voto de nunca perguntar a origem do marido, o que força Lohengrin a abandoná-la para sempre.
Wagner escreveu esta ópera enquanto trabalhava em Dresden, mas nunca a ouviu regida por ele mesmo, pois teve que fugir da Alemanha por seu envolvimento em movimentos revolucionários. Foi Franz Liszt quem a estreou em sua ausência. Assistir a Wagner no Theatro Municipal de São Paulo é uma oportunidade de confrontar o humano em todas as suas facetas: a genialidade técnica absoluta em contraste com as falhas morais do homem.
O concerto reúne trechos emblemáticos de óperas de Richard Wagner, além do Prelúdio do Ato III da ópera Lohengrin, também está no programa a Abertura da ópera Tristão e Isolda, Trechos do terceiro ato da ópera Navio Fantasma, Marcha Fúnebre e Morte de Siegfried, da ópera Crepúsculo dos Deuses, Cavalgada das Valquírias, da ópera As Valquírias, Freudig begrüßen wir die edle Halle, da ópera Tannhäuser e o Coro dos Peregrinos e Finale da ópera Tannhäuser. O concerto de 60 minutos é um recorte acessível e poderoso, ideal tanto para quem deseja conhecer uma das obras mais simbólicas do compositor quanto para quem busca entender a força monumental que desenvolveu a cultura Alemã. Ao final, a música de Wagner permanece como um espelho da própria humanidade — grandiosa, turbulenta e, acima de tudo, impossível de ignorar.