O Samba Tem História: Nilze Carvalho e Gabrielzinho do Irajá contam como o samba os encontrou ainda crianças

Episódio com a cantora e bandolinista já está no ar; nesta sexta (16), Gabrielzinho do Irajá fala de Dorival Caymmi, da Portela e do partido-alto aprendido no Cacique de Ramos.

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10/14/20263 min read

Fotos: Divulgação

Uma menina de sete anos tocando choro no cavaquinho e um menino de dois anos e meio que pede à mãe para conhecer Nana Caymmi. Nilze Carvalho e Gabrielzinho do Irajá chegaram ao samba antes de saber o que era carreira, e é dessa infância que partem os dois episódios mais recentes de O Samba Tem História, podcast da Rádio Samba apresentado pelo jornalista e pesquisador Pedro Paulo Malta. A conversa com Nilze foi ao ar na última sexta, 9 de outubro, e a de Gabrielzinho estreia nesta sexta-feira, 16, no canal da Rádio Samba no YouTube e no aplicativo da webrádio.

Nilze Carvalho: do cavaquinho emprestado ao Japão

Nascida em Belford Roxo e criada entre Nova Iguaçu, Caxias, Anchieta e Campo Grande, Nilze começou num cavaquinho tão pequeno que parecia brinquedo, levado para casa pelo pai, o trompetista e compositor mineiro Cristino Ricardo. Entre cinco irmãos, foi ela quem ficou com o instrumento. Pai e filha aprenderam juntos, tendo como professores os discos de Jacob do Bandolim e Pixinguinha.

Aos sete anos, depois de se apresentar num programa infantil de rádio em Nova Iguaçu, virou reportagem do Fantástico, em 1979. Passou a tocar nos intervalos da gafieira da Portela e chegou à gravadora, onde Jorginho do Pandeiro produziu seu primeiro disco, gravado com o grupo que acompanhava Jacob.

“Mesmo que eu vá tocar num festival de jazz, tem que ter o choro. Vai ter o choro sempre”, diz Nilze, que se prepara para se apresentar em Singapura.

No episódio, ela conta também como um convite feito numa noite de choro num restaurante da Barra a levou ao Japão, em 1991. A temporada prevista de seis meses durou seis anos, com seu Cristino atuando como curador dos músicos brasileiros que se apresentavam em cerca de dez restaurantes. “Esses seis meses viraram seis anos”, lembra.

De volta ao Rio, entrou na UniRio certa de que ninguém lembraria dela, e foi chamada às pressas para o espetáculo “O Samba é Minha Nobreza”, de Hermínio Bello de Carvalho, em 2002, no Cine Odeon. Nilze relembra ainda o grupo Sururu na Roda, o projeto Lembranças Cariocas, no Carioca da Gema, o encontro com Dona Ivone Lara e os shows ao lado dela e de Áurea Martins, e apresenta “A Vida que se Quer”, projeto com Ana Costa e Paulino Dias, que leva o nome de um verso de “Refém da Solidão”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. No repertório do episódio estão “Quando o Bloco Passar”, de seu Cristino, “Carinhoso”, “Nos Combates Desta Vida”, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, e “Nunca”, de Lupicínio Rodrigues.

Gabrielzinho do Irajá: Caymmi, Portela e a escola do partido-alto

O primeiro encantamento musical de Gabrielzinho veio aos dois anos e meio, com a abertura da minissérie “Hilda Furacão”, na voz de Nana Caymmi. A mãe conseguiu levá-lo para conhecer a cantora no Canecão e, no aniversário de três anos, ele pediu discos dela de presente. Foi assim que chegou a Dorival Caymmi.

Anos depois, já no elenco da novela “América”, falou tanto de Caymmi no Domingão do Faustão que a casa do compositor ligou para a emissora e Dorival entrou ao vivo para cantar “Rosa Morena” com ele. A visita à casa de Dorival e Stella Maris veio na mesma semana. “Foi um sonho de verdade. Jamais vou me esquecer desse momento”, conta.

Em 2006, aos dez anos, lançou “Ninar Meu Samba” no Canecão lotado, com participação de Nana Caymmi e plateia formada por Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Dorina, Velha Guarda da Portela, Fundo de Quintal e Almir Guineto. Pelas mãos de Dorina, chegou à Portela, conviveu com Monarco, Tia Surica e Jair do Cavaquinho e ajudou a fundar a escola mirim Filhos da Águia, cujo hino é um samba seu com Juninho Thybau. “Monarco dizia que eu era um sambista sem agrotóxico”, diverte-se.

O episódio passa pela parceria com Marquinhos Diniz em homenagem à Portela, pela história de “Chuva no Sertão”, que virou hit das rodas, e pelos três anos de aulas de partido-alto com Renatinho Partideiro no Cacique de Ramos, onde também aprendeu a etiqueta da roda. “Canta três e rala. Seja educado”, ensina. Gabrielzinho conta ainda como conheceu Xande de Pilares, hoje amigo e parceiro, improvisa versos ao vivo para o apresentador e encerra com “Vai que Vai”, parceria com Xande e Valtinho Zacarias.

Serviço - O Samba Tem História — nova temporada

  • 04/09 — Nei Lopes

  • 11/09 — Fred Camacho

  • 18/09 — Marcelle Motta e Marina Íris

  • 25/09 — Leandro Fregonesi e Raul DiCaprio

  • 02/10 — Carlinhos de Jesus

  • 09/10 — Nilze Carvalho

  • 23/10 — Marquynhos Diniz

  • 06/11 — Milton Manhães

  • 13/11 — Paulinho Resende

  • 20/11 — Marcos Sacramento

Onde ouvir: App Rádio Samba – iOS e Android
Site:
www.radiosambaoficial.com.br

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Joana Aleixo

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jornalista/produtora cultural

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