Premiado espetáculo capixaba “Capitu e Bentinho” estreia em 1º de outubro no Teatro Dulcina

Inspirada no clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis, peça inédita no Rio propõe uma releitura da célebre história que atravessa gerações

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9/24/20262 min read

Foto: Eder Gaioski

Qual seria o casal mais célebre da literatura brasileira? Qual relação mexeu mais com o público e ganhou o imaginário popular? A resposta parece óbvia: Capitu e Bentinho. Difícil alguém passar pela vida tendo alguma aproximação com a literatura sem ouvir, ou sem fazer, a pergunta: Capitu traiu Bentinho? O romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, conduz o leitor com maestria para dentro de uma narrativa em primeira pessoa, deixando questões em aberto ao sabor da interpretação do leitor.

Depois de conquistar público e crítica no Espírito Santo — e de ser agraciado com sete prêmios, incluindo o de melhor espetáculo, no 26º Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, o mais tradicional festival de teatro do estado —, o Grupo Teatral Caparaó (GTC) chega ao Rio de Janeiro com “Capitu e Bentinho”, em temporada de 1º a 18 de outubro no Teatro Dulcina, na Cinelândia. Com apresentação da FUNARTE, as sessões são de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h.

A peça desloca o olhar tradicional da obra para refletir sobre temas urgentes da sociedade contemporânea, questionando estruturas historicamente estabelecidas. O espetáculo propõe um espaço de confronto entre memória e verdade, amor e controle, revelando como narrativas baseadas em paixões desmedidas podem se transformar e sair do controle. “Capitu e Bentinho” convida o público a revisitar um clássico sob uma nova perspectiva: afinal, quem tem o direito de contar a história?

“Vivemos em uma sociedade onde se torna cada vez mais urgente o debate sobre os direitos das mulheres, a garantia de proteção à vida, o combate à violência de gênero, à misoginia e ao machismo. Revistar um clássico, refazer questionamentos e aprofundá-lo na contemporaneidade é algo mais que oportuno, necessário. A ideia é subverter, questionar e dialogar com os anseios de agora”, defende o ator, diretor e dramaturgo Danyel Sueth.

Em cena, os atores Bruna Frari e Danyel Sueth – este último também assina a direção e dramaturgia – revivem os personagens de Machado de Assis, conduzindo a plateia por uma narrativa fragmentada e intensa, acompanhada por trilha sonora executada ao vivo por Renan Silveira (guitarra), Marcos Tadeu (baixo) e Ronnie Silveira (bateria). Algumas apresentações contam com a participação especial da atriz carioca Milena Paiva.

Interpretar Capitu tem sido um desafio delicioso para a atriz paulista Bruna Frari. “Desafio porque é um clássico que faz parte do nosso imaginário e delicioso porque é tão significativo dar vida a uma mulher autêntica, inteligente e forte. Capitu foi um presente”, acredita Bruna.

A montagem também concorre ao prêmio de Melhor Espetáculo do Espírito Santo em 2026, em uma premiação organizada pela rádio Super Vix.

SERVIÇO:

Espetáculo: “Capitu e Bentinho”

Local: Teatro Dulcina (Rua Alcindo Guanabara, 17 – Cinelândia).

Temporada: 1º a 18 de outubro de 2026.

Apresentações: de quinta a sábado, às 19h | Domingo, às 18h.

Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Bilheteria digital: www.sympla.com.br/capituebentinho

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Joana Aleixo

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jornalista/produtora cultural

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