Protagonista da Própria História: Gisele de Assis no Diabo Veste Prada 2.
Entre um Roberto Cavalli e o improviso de um look autoral, Gisele de Assis, revela os bastidores da experiência como figurante de luxo em uma das maiores produções do cinema.
CINEMAGRÃFINÍSSIMOENTREVISTAS
5/11/20265 min read


Fotos: acervo pessoal
Historicamente, as figurações e participações especiais em grandes produções de Hollywood servem como o primeiro lampejo de estrelas em ascensão. Nomes como Brad Pitt, em Abaixo de Zero, ou Renée Zellweger, em Jovens, Loucos e Rebeldes, ou a Tânia Mara, uma senhorinha do sertão brasileiro que ascendeu como atriz pela participação em O Agente Secreto, filme brasileiro indicado ao Oscar 2026. Essas pessoas e tantas outras começaram ocupando espaços discretos e, quem sabe um dia, ganharem um papel de destaque em grandes produções. Para a brasileira Gisele de Assis, a participação na sequência do icônico O Diabo Veste Prada 2 não é apenas um simples "trabalho de figuração ou ponta, jargão, do meio cinematográfico", mas a consolidação de uma trajetória marcada pela resiliência, pelo multitalento e por um propósito inabalável: abrir caminhos para mulheres negras em territórios onde antes eram invisibilizadas.
A entrada de Gisele na produção do Filme estrelado por Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci, além de um sonho realizado pelo modelo brasileira pareceu obra do destino, em um roteiro à parte. Mesmo com o prazo de seleção encerrado, o material enviado via WhatsApp pela Gisele cativou a produção do filme, garantindo-lhe cinco dias intensos de gravação ao lado de nomes que definem o cinema mundial. Em um cenário onde muitos dariam tudo por uma oportunidade, Gisele encarou a experiência com uma mistura de gratidão e profissionalismo, transformando cada minuto no set em um exercício de presença e aprendizado.
“Foi uma experiência imensurável, simplesmente incrível. Primeiro, porque eu não tinha noção se conseguiria participar; a maneira como entrei foi mágica. Através de um amigo, consegui o contato da produtora do filme, enviei meu material pelo WhatsApp e, embora o prazo do casting já tivesse encerrado, eles me convidaram. Foram cinco dias de gravação. Vi todos os atores logo no primeiro dia, o que já me deixou satisfeita. Eu nem sabia se apareceria no filme, foi tudo muito incerto, mas participar de uma produção dessa magnitude foi mágico — não há outra palavra para descrever. Pretendo divulgar muito esse acontecimento, pois, para mim, não é um evento comum. Sei que muitos dariam tudo por essa experiência- relatou a modelo.


Como consultora de imagem e estilo radicada na Itália, a paulistana enfrentou o desafio de manter seu “branding pessoal” sob a pressão de uma mega produção hollywoodiana. Quando o plano original de usar um Roberto Cavalli, o que seria incrível, caiu por terra, foi seu faro de "fashionista" que salvou o dia. Em um ato de improviso criativo, ela montou um look utilizando peças de sua própria collab com a marca sustentável brasileira Las Gringas. O resultado foi a aprovação imediata do produtor e a inclusão da moda "Made in Brazil" em um dos filmes mais aguardados da década, reforçando que a essência brasileira tem lugar garantido no alto luxo global.
“Durante a Semana de Moda de Milão, houve a prova de roupa (couture). A produção montou um mood board e pediu que levássemos nossas opções. Eles amaram minhas roupas, mas como o estilo era similar ao de outras pessoas, decidiram me emprestar um vestido rosa pink de plumas, do Roberto Cavalli. Quando vi, dei um berro! Pensei: "Esse vestido foi feito para mim. No entanto, no dia da gravação, o vestido havia sido cedido para uma modelo da passarela e me deram outro que não tinha nada a ver comigo. Como consultora de imagem, eu não poderia atuar com algo que não me representasse. No desespero, olhei a arara e vi o meu Catwoman, da collab com a marca sustentável brasileira Las Gringas. Montei um look com o body de couro colorido por cima do jumpsuit e o produtor aprovou na hora. Essa produção nasceu do improviso e ficou incrível! Foi a minha essência ali, um sonho realizado.” - afirmou a também consultora de imagem Gisele de Assis.


Além do impacto visual, a experiência foi preenchida por momentos sensoriais inesquecíveis, como ver Lady Gaga interpretar "Shape of Woman" ao vivo no set. Para Gisele, que também é DJ, a atmosfera sonora do filme dialoga diretamente com seu universo de referências, que transita entre a sofisticação do Melodic House e a força de ícones como Beyoncé e Madonna. Gisele de Assis não apenas participou de um filme que se manterá na memória dos milhares de fãs mundo afora por anos; ela ocupou um espaço político e estético. Ao levar a alfaiataria italiana de Giorgio Capano e a sustentabilidade criativa das Las Gringas para as telas, ela demonstra que o sucesso é mais gratificante quando compartilhado. Sua jornada de uma infância humilde em São Paulo aos sets de Hollywood é um testemunho de que o conhecimento, a gratidão e a coragem de ser "a primeira mulher negra em vários aspectos" são as chaves para que ninguém precise ser "a única" daqui para frente. Não é exagero afirmar que Gisele de Assis abriu caminho para outras mulheres negras transitem onde quiserem.
“Tento valorizar a moda brasileira em tudo o que faço. O look Catwoman Las Gringas by Gisele de Assis, criado por mim e pela estilista Annette Lima, agora faz parte de O Diabo Veste Prada. É o sucesso de uma collab pensada por brasileiras que vivem fora, mas fazem moda Made in Brazil. Também consegui incluir a alfaiataria italiana do meu marido, Giorgio Capano, em uma cena de café da manhã. Representar essas marcas que amo foi gratificante.”- afirmou Gisele, sinalizando que vem uma playlist no Spotify dela com o tema “O Diabo Veste Prada 2”- “Ver a Lady Gaga cantar "Shape of Woman" ao vivo no set foi inesquecível. Ela com certeza estaria na minha playlist, junto com Madonna, Beyoncé e Rihanna — ícones que atravessam gerações e representam a moda. Embora eu não seja do reggaeton, o Bad Bunny tem produções incríveis que rendem remixes ótimos. Particularmente, eu faria algo mais orgânico, um Melodic House, que é chique e combina com a atmosfera do filme. Vale muito montar essa playlist no Spotify!” - finalizou a multifacetada Gisele de Assis.