Réquiem SP ousa na fusão entre dança contemporânea, coral e música eletrônica

Dirigida por Alejandro Ahmed e regida por Maíra Ferreira, a obra une a complexidade de Ligeti ao ritmo do breakcore.

DANÇA CONTEMPORÂNEAGRÃFINÍSSIMOESTREIAS

8/13/20263 min read

Fotos: Larissa Paz

Um encontro potente entre a dança contemporânea, o canto coral e a música sinfônica e eletrônica está prestes a tomar conta da Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. O Balé da Cidade de São Paulo apresenta uma nova montagem de Réquiem SP, sob a criação, direção e coreografia de Alejandro Ahmed, com direção musical e regência de Maíra Ferreira, unindo forças com o Coral Paulistano e a Orquestra Sinfônica Municipal. A obra se destaca por ser um verdadeiro laboratório de inovação e pesquisa de linguagem. Não se trata apenas de encenar um clássico, mas de tensionar e integrar diferentes ecossistemas artísticos. As apresentações acontecem nos dias 15, 16, 18, 19, 21 e 22 de agosto e os ingressos custam R$100. Além de sua estreia no Brasil em 2025, a obra foi apresentada pela companhia em sua turnê pelo México em maio de 2026. A montagem abriu o Festival El Aleph e passou pelo Centro Cultural Universitário da UNAM (Cidade do México) e pelo Teatro Juárez (Guanajuato).

O Confronto e a Fusão de Linguagens

A essência de Réquiem SP reside na capacidade de construir pontes provocativas entre universos que, à primeira vista, parecem distantes. Na dança, um diálogo entre distintas linhagens de dança, como o balé, o jumpstyle e as danças urbanas e populares. A proposta investiga de maneira provocativa as possibilidades de articulação entre corpos, contextos e manifestações culturais. O elenco utiliza o movimento para investigar como o corpo reage e se transforma diante do ambiente da metrópole paulistana. A partitura transita da altíssima complexidade erudita de György Ligeti (composta na década de 1960 e imortalizada no cinema em 2001: Uma Odisséia no Espaço) até as batidas aceleradas e espaçadas do breakcore do produtor canadense Venetian Snares (Aeron Funk).

“O Requiém SP explora além da partitura de György Ligeti, se estende para três movimentos musicais: um é um interlúdio de autogestão coreográfica e de som, outro é o Réquiem de quatro movimentos e o final que tem outras duas faixas do produtor canadense Venetian Snares. Um breakcore, ou seja, batidas rápidas e espaçadas, muito diferente da relação do que é o Requiém do Ligeti, mas, ao mesmo tempo, com complexidades de composição que se correlacionam”, explica Alejandro Ahmed.

Responsável pela criação, direção e coreografia, Alejandro Ahmed atuou como diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo de julho de 2023 até maio de 2026. Reconhecido como um dos coreógrafos mais destacados da dança contemporânea no Brasil, Ahmed desenvolve uma abordagem artística que investiga as correlações entre corpos, ambientes e tecnologias, investigando os limites dos corpos e as suas possibilidades de transformação.

Com pouco menos de meia hora, a obra é dividida em quatro movimentos: I. Introitus, II. Kyrie, III. Dies Irae e VI. Lacrimosa. Segundo Maíra Ferreira, regente titular e responsável pela direção musical, é necessário um alto nível de sofisticação para executar o concerto. “Ligeti explora muito os extremos, então vai da nota aguda para a nota grave muito rapidamente. Tecnicamente, o cantor precisa ter um ótimo preparo para explorar o trato e a extensão vocal. Às vezes temos alguns pontos de descanso em uma obra. Essa não tem”, pontua. “Das obras que trabalhei, em quase dez anos no Theatro Municipal, nunca havíamos executado algo tão desafiador”, finaliza.

Serviço

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

CORAL PAULISTANO

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL


15/08, sábado, às 17h

16/08, domingo, às 17h

18/08, terça-feira, às 20h

19/08, quarta-feira, às 20h

21/08, sexta-feira, às 20h

22/08, sábado, às 17h

Cultura

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Joana Aleixo

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jornalista/produtora cultural

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