Sinfonia de gigantes: Rio e São Paulo recebem a elite da música clássica mundial
Do B32 paulistano ao Municipal carioca, Série Dellarte conecta o brilhantismo conceitual de Ólafsson ao requinte vienense de Rainer Küchl em uma semana histórica para a música clássica.
CONCERTOGRÃFINÍSSIMO
10/15/20264 min read


Fotos: Divulgação
A cena erudita de São Paulo e do Rio de Janeiro vive um momento com a passagem de grandes nomes do virtuosismo internacional por seus palcos. No dia 17/10, às 20h, o Teatro B32, na capital paulista, recebe o prestigioso Küchl Piano Trio, liderado pelo lendário ex-spalla da Filarmônica de Viena, Rainer Küchl, ao lado de Stefan Stroissnig e Wilhelm Pflegerl, reunindo um nível técnico impecável e a raridade do som de um lendário violino Stradivarius de 1725. Já no dia 19, às 19h o aclamado pianista islandês Víkingur Ólafsson apresenta no Theatro Municipal do Rio de Janeiro o recital que lotou o Wigmore Hall, em Londres, costurando as profundas conexões estilísticas entre Bach, Beethoven e Schubert.
Para os apreciadores da música de câmara nas duas metrópoles brasileiras, trata-se de uma oportunidade singular de vivenciar interpretações do mais alto gabarito técnico e expressivo. A presença simultânea de artistas do topo da cena global pela Série Dellarte Concertos Internacionais não apenas reafirma a inserção do eixo Rio-São Paulo nos grandes circuitos eruditos mundiais, mas proporciona ao público local o privilégio de testemunhar performances de padrão internacional sem a necessidade de cruzar o Atlântico.


Küchl Piano Trio em São Paulo
Ex-spalla da Orquestra Filarmônica de Viena e da Ópera Estatal de Viena, o violinista Rainer Küchl batiza o Küchl Piano Trio que preza pelo alto nível técnico e musical de seus integrantes. Ele próprio desenvolveu uma brilhante carreira tocando em duas orquestras que estão entre as melhores do mundo. Em 2001, recebeu um título honorário da Ópera Estatal de Viena. Seu instrumento é nada menos que um Stradivarius de 1725, cedido pelo Banco Nacional da Áustria. Ao piano, está o austríaco Stefan Stroissnig, formado no Royal College of Music, em Londres, e presença frequente em salas prestigiosas como Royal Festival Hall (Londres), Musikverein e a Konzerthaus (Viena) e Philharmonie (Berlim). Ao violoncelo, o também austríaco Wilhelm Pflegerl, revelado em um concurso estadual em Klagenfurt e, desde então, foi convidado a liderar o naipe de violoncelos em orquestras como a National Symphony Orchestra, na Irlanda, e a Carinthian Symphony Orchestra, na Áustria. O programa escolhido para o recital carioca traz duas obras-primas da tradição austríaca, que corre nas veias desses músicos: o trio nº 1 de Schubert e o trio “Arquiduque” de Beethoven.
PROGRAMA
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770 - 1827)
Trio para piano em si bemol maior, op. 97 (Arquiduque)
I. Allegro moderato
II. Scherzo
III. Andante cantabile, ma però con moto
IV. Allegro moderato
FRANZ SCHUBERT (1797 - 1828)
Trio para piano nº 1, em si bemol maior, op. 99
I. Allegro moderato
II. Andante un poco mosso
III. Scherzo. Allegro
IV. Rondo. Allegro vivace


“Novo superstar do piano”, faz recital no Rio
Em pouco menos de uma década, o nome do pianista islandês Víkingur Ólafsson galgou uma posição na elite da música clássica, conquistando reconhecimento de seus pares, do público e da crítica especializada de todo o mundo. Ólafsson iniciou a temporada 2026–27 com uma turnê europeia em conjunto com a renomada Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdã. Em setembro, ele apresentou um recital solo por três noites consecutivas, com ingressos esgotados, no Wigmore Hall, uma das mais importantes salas de Londres. O mesmo programa foi escolhido para o Rio de Janeiro e, em seguida, será levado à Coreia do Sul, à China e a Taiwan. Ele também está em turnê com a Orquestra Filarmônica de Berlim, incluindo uma apresentação em São Paulo na véspera do recital carioca. No dia 6 de novembro, ele lançará um novo álbum pelo selo Deutsche Grammophon, "Continuum II", com obras de J.S. Bach.
Para marcar os dez anos do seu álbum de estreia pela Deutsche Grammophon, "Philip Glass: Piano Works", e também para celebrar os 90 anos desse compositor, Ólafsson viajará em turnê, em 2027, por Europa, América do Norte e Austrália, tocando obras do americano, juntamente com outras de Debussy e Rameau. Além da atividade como músico, Ólafsson é fundador e curador da série de performances Pulse — parte do Festival de Lucerna, na Suíça —, que terá sua segunda edição em maio de 2027.
PROGRAMA:
JOHANN SEBASTIAN BACH (1685 - 1750)
Prelúdio em mi maior, BWV 854
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770 - 1827)
Sonata para piano nº 27 em mi menor, Op. 90
I. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck ("Com vivacidade e, o tempo todo, com sentimento e expressão")
II. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen ("Não muito rápido e executado de maneira muito cantável")
JOHANN SEBASTIAN BACH (1685 - 1750)
Partita nº 6 em mi menor, BWV 830
I. Toccata
II. Allemande
III. Corrente
IV. Air
V. Sarabande
VI. Tempo di Gavotta
VII. Gigue
FRANZ SCHUBERT (1797 - 1828)
Sonata para piano em mi menor, D. 566
I. Moderato
II. Allegretto
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770 - 1827)
Sonata para piano nº 30 em mi maior, Op. 109
I. Vivace ma non troppo, sempre legato — Adagio espressivo
II. Prestissimo
III. Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed espressivo
* O programa tem duração estimada de 80 minutos, sem intervalo.